30 de agosto de 2016

Fiquei orgulhosa e emocionada de falar na missa em homenagem ao meu pai

Coube a mim falar em nome dos sete filhos do cavalheiro, do cidadão, militar, homem público, ou simplesmente pai, que foi Pedro Américo Leal.
Além de pai, ele foi um exemplo para cada um de nós.
Entre os tantos conselhos e ensinamentos que nos deu em vida, ele plantou em nós o precioso senso de união familiar.
Nós crescemos escutando seu brado em forma de apelo: "Não descuidem da família. Haja o que houver, permaneçam unidos, pois os desencontros fazem parte da vida, não são surpresas, mas nada pode separar os irmãos.”
Creio que todos achavam aquilo meio exagerado, mas já existia nele uma preocupação com a "passagem de bastão no revezamento da vida”, como dizendo que um dia fatalmente isso ocorreria e não poderíamos prever quando, mas, ao ocorrer, que nos encontrássemos unidos.
O cultivo dessa união baseada no amor que ele nos ensinou, junto com sua amada Carmen, será sempre um tributo que vamos prestar a ele e passar de geração em geração.
Reflito e afirmo que sem essa postura e conduta dele, não seríamos o que somos.
Outros sentimentos que ele muito valorizava eram o de ter gratidão e de ser generoso e tinha como regra de ouro a máxima de não fazer aos outros o que não queremos que façam conosco e nisso entrava também o permanente cuidado com o outro.
Uma característica sua era espalhar animados “Bom dias” e receber de volta a mesma saudação.
Tenho essa lembrança de quando, ainda menina, perguntar um dia num passeio a pé, de como ele conhecia tanta gente, ao que ele de pronto me respondeu: Nem todo mundo que cumprimentei eu conheço. Saudar pessoas conhecidas é uma regra básica da convivência e saudar quem não conhecemos é um ato de generosidade que devemos praticar sempre".
Com aquele gesto simples, espalhava gentileza por onde andava.
Ele imprimiu em cada um de nós, talvez pela sua história de órfão de pai ou por influência da carreira militar, um valioso espírito de luta, honra, dever e disciplina, assim como a noção de trabalhar e se comprometer com tudo que fizéssemos.
Ele nos ensinou que palavra dita é palavra sagrada! Que missão dada é missão cumprida! Que Amigo não faz favor, presta serviço!
Como psicólogo, junto com uma sabedoria nata dos profetas, nos aconselhava frente a um obstáculo da vida, dizendo: "Agora te distancia do problema para que consigas vê-lo com exatidão e não com emoção, pois só assim conseguiras resolver".
Seu sobrenome Leal, que ele trouxe para Porto Alegre vindo do Rio de Janeiro, é o nosso nome e nosso maior patrimônio.
Digo com muita emoção, que foi um privilégio e uma benção contar com sua mão solidária, seu olhar confiante, seu sorriso verdadeiro e seu ombro amigo de pai por tanto tempo em nossas vidas.
Nesses últimos tempos, mesmo tendo que cuidá-lo ainda mais, sentimos que ele ainda nos cuidava com sua sábia quietude.
São essas as palavras que deixamos hoje em memória e homenagem, e em profunda gratidão ao nosso eterno porto seguro.
Muito obrigada por suas presenças.









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